Archive for May, 2012

Até breve meu príncipe.

Poucas coisas doem mais que perder um filho. Na realidade só uma: vê-lo sofrer.

Nosso Félix, companheiro há 17 anos, se foi hoje depois de seis meses de batalha contra um linfoma. Além do prognóstico terrível desta doença, sofreu também com artrose e toda a degeneração que um gato doméstico pode ter aos 17 anos e alguns meses.

Ainda não consegui aceitar que tanto tempo se passou, porque parece que foi ontem que ele chegava para fazer companhia nas tardes solitárias logo após um período de desemprego em 1995.  Dormíamos juntos no sofá depois de brincar um pouco.

Reparo agora o quanto eu tive sorte de tê-lo conhecido e amado, ter aprendido tanta coisa com ele, mas lamento pelos momentos que me ausentei, seja por questões profissionais como viagens ou por motivos pessoais e mesquinhos como as saídas fotográficas que fiz nos últimos dois anos. Parece que o tempo nunca foi o suficiente quando perdemos a quem amamos.

Foi duro chegar em casa e encarar aquela caminha sem ele. Apesar dos seus irmãos virem me receber ao entrar, eu não os via, porque o coração também se esvaziara, se partira.  A casa parece estranha, fria e vazia.

Não é a primeira vez que sinto essa dor, já perdemos a Dília, a Bella, o Jimmy, o Moustache, a Diana, o Freddy, o Fígaro, o Billy… mas o Félix foi o primeiro,  e de certa forma nos confortava quando um ou outro se ia. Parece que nos consolava com seu olhar meigo e sincero. Me pergunto quem irá me consolar agora e quase imediatamente vem um deles se enroscar nas minhas pernas, pedir um carinho, me olhar com aquele mesmo olhar e já sinto que é Deus me mandando um sinal, uma mensagem de que tudo aqui é passageiro e que nada, nem ninguém é nosso.

Procuro pensar que na rua, onde o encontramos em março de 1994, ele não teria durado 5 anos. Penso em todas as vezes que lhe compramos um brinquedo, uma coberta, uma ração diferente, nos quilos de carne que pudemos lhe dar, no conforto, na segurança de um lar onde foi amado… inda sim, continuo angustiado,  sentindo como uma derrota inevitável e infalível do tempo.

Dizem que o tempo cura toda ferida, mas estas que a saudade abre e a dor dilacera, somente Deus pode fechar e lá deixar uma cicatriz, a prova irrefutável do quanto sou ínfimo, patético, mortal e, portanto, humano.

Não consigo dizer ‘adeus’ ao meu filho, somente um ‘até breve’, porque como diz um ditado russo antigo: coração não é de pedra!

Advertisements

Read Full Post »

%d bloggers like this: