Posts Tagged ‘Literatura’

O mestre perguntou ao discípulo:
– O que acontece contigo? Estás desatento, rindo à toa e inquieto. Acaso estás bêbado?
Ao que o discípulo responde:
– Estou amando mestre.
O outro retruca:
– Amor não é isso. Isso é paixão. Só volte aqui quando sentir uma dor profunda, não antes disso.
Passam-se dias e um ano e meio se completam até que o discípulo retorne:
– Mestre, estou de volta porque a dor é grande em meu peito.
E o mestre:
– Perdeste a quem ama?
– Não. Ainda estamos juntos, mas quando não estamos a dor é imensa. E a simples possibilidade de perda me deixa desnorteado e triste.
O mestre:
– Ainda sim o que sentes é a paixão, mas já está mais calma porque o amor está tomando conta. E essa dor se chama saudade. Só volte quando a dor passar por completo.
Passam-se 10 anos até que o mestre é visitado por outro mestre, antes discípulo.
– Mestre, estavas certo. A dor se calou em meu peito e veio a serenidade. Tudo é calmo e plácido. Penso que isso é o amor, não é?
Ao que o mestre responde:
– O amor é tudo que passaste ao lado de quem repartiste este sentimento nesta vida. Pode ser um amor de amigo, um amor de mãe ou pai, um amor de filho, um amor de cônjuge. A paixão também é amor, mas é impetuosa e perversa, quer tudo pra si. Já o amor é liberdade, é paz, é felicidade. E mesmo a saudade, no amor é confiança e esperança de rever a quem amamos.
Intrigado, o discípulo pergunta ao mestre:
– Mas porque sentir tanta dor logo de início se o amor é tão calmo e simples e belo? Não compreendo.
E o mestre:
– Porque sem a dor não irias notar o amadurecimento desse sentimento. Sem a dor, poderias achar que aquele sentimento era algo normal, comum; enquanto que o amor verdadeiro é algo extraordinário, divino e único. Quem nunca se permitiu sentir essa dor, nunca amou realmente.

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PartidaPrenúncioReminiscências
SolidãoMágoaLampejo

Esquecimento, um ensaio no Flickr.

Há momentos que precisamos nos sentir únicos, sozinhos, inteiros… sem que nada nem ninguém nos ofereça abrigo ou perigo, amor ou ingratidão, o riso ou a lágrima…

Há momentos que a alma se cansa, se perde entre luzes e sombras, se reencontra e sucumbe ao cansaço da vida. Uma miséria da alma, consumida pelos anos, esquecida pelas perdas…

Partir… retomar o caminho e seguir até que a última luz seja generosa e inunde com a verdade o vazio que se fez da morte.

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Um pouco de saudade

Hoje, dia do professor, me lembrei das aulas de língua e literatura russa, em particular de um poema de Lermontov que jamais esqueci.

По небу полуночи Ангел летел,
И тихую песню он пел.
И месяц, и звезды, и тучи толпой
Внимали той песне святой.

A tradução seria algo mais ou menos assim:

Pelo céu da meia noite, um anjo voava
e uma suave canção cantava
e a lua em quarto crescente, as estrêlas
e as nuvens em aglomeração,
ouviam atentas àquela bela canção.

Nem parece que faz quase vinte anos que o li pela primeira vez e ainda assim está nítido na memória. Tenho alguma ligação que desconheço com esta língua e seus falantes, pois me soa familiar e suave como se a falasse há anos.

O mesmo me ocorre com as palavras de origem indígena, mas para isso a explicação é facil  em vista de minha descendência.

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